21 outubro 2010

25 de Setembro: Lalín - Santiago de Compostela, 52 km

Para esta última etapa deixámos apenas 52 quilómetros, que foram feitos sem grandes dificuldades. Neste dia passámos por alguns grupos de ciclistas. O principal obstáculo desta etapa é a subida após Ponte Ulla, embora todo o trajecto seja um constante sobe e desce, o que é habitual na Galiza. Não houve grandes novidades, o tempo estava fresco e encoberto, a ameaçar chuva que não chegou a cair. Chegámos a Santiago antes do almoço e logo nos deparámos com uma fila enorme para obter a Compostela. Demorámos uma hora e meia na fila e depois entrámos na Catedral pela Porta Santa, que só abre em Ano Jacobeu.
Mais um caminho completo, dez dias e mil quilómetros desde Sevilha até Santiago de Compostela.

 Pormenor do caminho.
Catedral de Santiago de Compostela.

24 de Setembro: Xunqueira de Ambia - Lalín, 84 km

Começámos o dia com chuva, que durou até chegarmos a Ourense. Depois de selar a credencial e atravessar o rio Minho começava uma subida muito difícil, com uma inclinação acentuada e constante durante cerca de cinco quilómetros.
Parámos em Cea para comprar o famoso Pan de Cea e depois de tirar umas fotografias no mosteiro de Oseira começámos uma subida dificílima, em que tivemos que desmontar e empurrara as bikes durante grande parte do tempo.
Parámos em Castro Dozon para comer o pão que tínhamos comprado, juntamente com queijo e chouriço e umas canecas de cerveja. Chegámos a Lalín a meio da tarde e fomos recuperar do esforço dispendido num excelente hotel com spa. Afinal já só faltava um dia para chegar a Santiago.
 Cea

Monasterio de Oseira

23 de Setembro: Puebla de Sanabria - Xunqueira de Ambia, 124 km

Esta era a etapa-raínha da nossa Via da Prata: 124 quilómetros e 2730 metros de acumulado, com três portos de montanha para ultrapassar.
Saímos ainda de noite, já que tínhamos algumas dúvidas sobre se conseguiríamos cumprir o planeado. Estava frio e pedalar de noite sem luz é arriscado, até porque o caminho era numa zona com bastante vegetação junto a um rio.
Começámos a subida aos 1360 metros de altitude do porto de Padornelo pelo caminho, mas tivemos que a acabar pela estrada. O caminho era impraticável para bicicletas e uma série de quedas, felizmente sem consequências, obrigaram-nos a alterar os planos. Foi uma pena, porque o caminho atravessa uma zona muito bonita e onde avistámos veados e um javali.
Depois da descida até Lubián começava nova subida, agora ao porto de A Canda, onde começa a Galiza. Fomos até A Gudiña por estrada e entrámos então numa das partes mais bonitas da variante Sanabresa da Via da Prata. Nesse dia não fizemos a paragem para almoçar, mas fomos comendo frutos secos e fruta durante todo o dia. Quando chegámos a Laza e fomos carimbar a credencial, fomos aconselhados a fazer a subida até Albergueria pela estrada. São quinhentos metros de desnível muito duros e, na parte final, começou a chover.
Chegámos a Xunqueira de Ambia quase sem forças mas fomos amplamente recompensados na casa de turismo rural onde ficamos instalados e em que fomos tratados como príncipes - Casa do Souto.
 No cimo da montanha.
Preparação duma fotografia.

22 de Setembro: Tábara - Puebla de Sanabria, 94 km

Manhã fria e sol por vezes encoberto. Fizemos a primeira paragem ao quilómetro 23, em Santa Marta de Tera, para tomar um segundo pequeno-almoço: um bocadillo e uma cola. A etapa tinha algumas subidas curtas mas puxadas. Pelo caminho passámos por uns campos em que estavam a colher maçãs e, muito amávelmente, ofereceram-nos maçãs e uvas. Curiosamente, pouco tempo antes tínhamos comentado que havia que comprar fruta para este dia.
Depois dalgumas subidas durinhas parámos em Palacios de Sanabria para almoçar, deixando somente doze quilómetros para o final da etapa. Chegámos a Puebla de Sanabria às 17:00, com tempo suficiente para visitar o castelo e o museu no topo da bonita e antiga vila. Havia que repor forças, pois as dificuldades a sério iriam começar no dia seguinte.
 De manhã à saída de Tábara.
 Do alto do castelo de Puebla de Sanabria.
 Puebla de Sanabria à noite.

21 de Setembro: Salamanca - Tábara, 140 km

A partir de Salamanca começava a parte da Via da Prata que eu já conhecia por a ter feito há três anos. Inicialmente esta sexta etapa estava prevista para acabar em Zamora, apenas 67 quilómetros, mas acabámos por a esticar até Tábara.
De Salamanca a Zamora são 67 quilómetros com um acumulado de apenas 370 metros, portanto sem grandes dificuldades. Saímos com sol, mas a chuva que tinha caído no dia anterior fez com que o caminho apresentasse alguma lama, além dalgumas partes com bastante areia e regos traiçoeiros. Mesmo assim chegámos a Zamora para almoçar. Logo aí decidimos que era uma pena desperdiçar a tarde inteira sem pedalar e resolvemos continuar caminho, até para encurtar a etapa seguinte, que se previa difícil.
Assim comemos um bocadillo em Zamora e arrancámos. O caminho era essencialmente plano, exceptuando a parte final, com algumas subidas e em que os muitos quilómetros nas pernas já faziam mossa.
Chegámos a Tábara às 20:00, já com a luz do dia a fugir. Fazer 140 quilómetros de BTT com alforjas não é brincadeira e estávamos estourados. Foi comer e dormir.

 O macho a guardar o rebanho.
Monumento aos peregrinos perto de Zamora.

17 outubro 2010

20 de Setembro: Aldeanueva del Camino - Salamanca, 95 km

Neste dia fizemos batota. O grupo de ciclistas de Navarra, que tinha ficado no mesmo hotel que nós e com quem tínhamos jantado na véspera, disponibilizou-se a levar os nossos alforges até Salamanca. Assim fizemos a etapa juntos.
Saímos com tempo fresco e levámos logo com a subida de Bejar, em calçada romana e com degraus pelo meio. Seguia-se uma descida rápida e de novo subir. Após uma zona plana havia que transpor o Pico de la Dueña e os seus 1150 metros de altitude. A parte final desta subida é um single-trek com muita pedra e desnível acentuado.
Depois da descida parámos para almoçar em San Pedro de Rozados. Os 25 quilómetros finais eram fáceis, o caminho é através duma planície ondulada até chegar a Salamanca.
Recuperámos as nossas bagagens e despedimos-nos do grupo de navarros. Jantámos num restaurante em plena Plaza Mayor de Salamanca.
 Puerto de Bejar
 Entrada em Salamanca.

Plaza Mayor


19 de Setembro: Cáceres -Aldeanueva del Camino, 127 km

Uma manhã sem grande história, céu azul e percurso fácil e maioritáriamente plano. Após atravessar o Tejo, começam a aparecer algumas colinas, mas nada de difícil. Almoçámos em Galisteo e continuámos o caminho com o calor a fazer-se sentir.
Encontrámos um grupo de ciclistas de Navarra que faziam o caminho com carro de apoio e que também iam ficar no mesmo sítio que nós nesse dia.
A segunda metade da etapa era quase sempre em subida, atravessa-se um bosque e o caminho passa nas ruínas romanas de Caparra. O piso também tem muita areia e há zonas em que se torna difícil pedalar.
A parte final é uma subida com muita pedra e o Jacky furou. Chegámos a Aldeanueva del Camino e ficámos num hotel rural, onde também jantámos.
 Extremadura espanhola.
 Galisteo
Arco romano de Caparra.

18 de Setembro: Mérida - Cáceres, 74 km

Depois dos acontecimentos da véspera, esperava-nos um dia tranquilo. Saímos de Mérida com tempo nublado e a etapa não tem muito que contar. Atravessa pequenas localidades quase desertas nesse sábado de manhã e, em termos técnicos, a maior dificuldade é o piso com muita areia. O caminho discorre pela antiga estrada romana que ligava Mérida a Astorga e há vários marcos miliares e pontes romanas no trajecto.
Como curiosidade, o caminho atravessa a pista dum pequeno aeródromo, já perto de Cáceres.
Chegámos às 15:30, ainda a tempo de almoçar e com o calor já a apertar. Cáceres é uma cidade que merece uma visita e nós felizmente tivemos algum tempo para visitar o centro histórico da cidade, acabando a noite a jantar numa esplanada, com tapas e cañas.
 Aqueduto romano em Mérida.
 Barragem romana com quase dois mil anos.
 Ao lado havia um lar de idosos!!


17 de Setembro: Monesterio - Mérida, 109 km

Esta etapa tinha tudo para ser uma das mais fáceis da travessia: 109 quilómetros com um acumulado de apenas 950 metros. Mas condições atmosféricas adversas transformaram a manhã num pesadelo.
Saímos de Monesterio avisados que poderia chover, apesar do sol estar a brilhar quando arrancámos. Os primeiros vinte quilómetros eram em ligeira descida, sem dificuldade aparente. O céu escureceu e começou a chover e a trovejar. Todo o caminho atravessava campos sem árvores nem qualquer tipo de abrigo. Os relâmpagos caíam à nossa volta e o ponto mais elevado éramos nós nas nossas bicicletas. Rápidamente o caminho foi-se tornando num riacho e começámos a ter dificuldade em progredir. Já perto de Fuente de Cantos fomos obrigados a parar porque o caminho estava intransitável, com água pelos joelhos e uma corrente fortíssima. Subimos para uma pequena elevação, mas a água também ia subindo e começámos a ver que tínhamos de sair dali o mais depressa possível. Tentámos várias hipóteses, mas a água tem uma força incrível e começámos a recear ser arrastados pela corrente, pois a água já nos chegava à cintura. Até que, numa das tentativas, o Josep Lluis ia à frente e perdeu o pé e foi arrastado junto com a bicicleta. Conseguiu agarrar-se a uns ramos mas teve de largar a bike, que foi com a enxurrada. Por sorte, uns 150 metros mais à frente, a bicicleta foi perdendo velocidade e conseguimos recuperá-la, enquanto o nosso amigo saía da água ainda a pensar o que lhe tinha acontecido. Simplesmente inacreditável.
Entretanto a chuva começou a abrandar e acabámos por descobrir uma saída, atravessando uma zona mais estreita com água por cima dos joelhos e as bikes às costas. Atravessámos um campo agrícola e atingimos a estrada, cobertos de lama, molhados da cabeça aos pés, mas aliviados por termos saído incólumes daquela situação.
Depois disto continuámos por estrada até Villafranca de los Barros, onde almoçámos. O tempo tinha melhorado e, após o almoço, retomámos o caminho: longas rectas entre vinhas até chegar a Mérida. Mas o dia não acabaria sem mais um percalço. Numa parte junto à estrada, um arame com um troço de madeira prendeu-se na minha roda dianteira, a bike estacou de imediato e eu saí de cabeça. Na queda ainda espetei o punho do guiador na barriga, ficando com o mesmo bem marcado, além duma negra enorme.
Em Mérida tivemos de lavar as máquinas devido ao lastimável estado em que se encontravam.
 Antes da tempestade: um caminho que parecia fácil.
 Caminho plano entre vinhas.

16 de Setembro: Sevilla - Monesterio, 102 km

Depois das atribulações para recuperar a minha bike, lá arrancámos para a Via da Prata. Tinha chovido durante a noite e o tempo estava agradável para pedalar. Os primeiros 25 quilómetros desta etapa são planos e a única surpresa foi termos passado por extensos campos de algodão, coisa que eu nunca imaginei que houvesse na Península Ibérica. Comecei a constatar aquilo que já supunha, que é a quase inexistência de pontos de água durante o percurso, o que nos obrigava a reabastecer nas localidades que íamos atravessando.
Durante a manhã tivemos duas subidas curtas mas difíceis e parámos para almoçar em Almadén de la Plata. O tempo tinha aquecido e nada fazia prever o que nos esperava nos últimos quilómetros. O céu foi-se cobrindo de nuvens escuras e, na subida para Monesterio, começou a chover e a trovejar, acompanhado dum vento muito forte. O meu azar foi que, durante o dia, tinha perdido o meu impermeável pelo caminho, devia estar mal preso e caiu sem que eu reparasse. Perante a tempestade crescente, optámos por concluir a etapa por estrada, mas o vento de frente impedia a progressão. Eu seguia na frente com o José Luis e acabámos por perder de vista os outros dois. A chuva engrossou e abrigámo-nos debaixo duma árvore na berma da estrada. Eu já estava completamente molhado e o corpo começou a arrefecer. Estivemos parados cerca de vinte minutos, até que a chuva abrandou e retomámos o andamento. Só então demos conta que estávamos apenas a três quilómetros do final da etapa, onde eu cheguei encharcado e com a moral em baixo, já quase de noite.



 Sevilha
 Água no caminho: algo muito raro no sul de Espanha.
Castelo em ruínas.


15 outubro 2010

Via da Prata - Setembro de 2010

Inicialmente prevista para o mês de Junho, tivemos de adiar este novo desafio devido a um problema com o nosso amigo Josep Lluis. Para mim também calhou bem, pois eu tinha partido o pé esquerdo em Fevereiro, a jogar futebol, e estive algum tempo parado, sem poder treinar.
Eu já tinha feito metade da Via da Prata em 2007, mais precisamente entre Salamanca e Santiago, e tinha agora a oportunidade de fazer a travessia completa. São mil quilómetros desde Sevilha até Santiago, atravessando a Espanha de sul para norte.
Mais uma vez o meu irmão João Pedro teve que madrugar para me levar ao aeroporto de Vigo, onde apanhei o avião para Barcelona, para me juntar aos meus companheiros de aventuras.
Daí seguimos também de avião para Sevilha, onde chegámos a meio da tarde. O primeiro choque foi sair do aeroporto e levar com 38 graus de temperatura. Fomos de taxi para o hotel onde nos esperavam as nossas bicicletas, anteriormente despachadas por transportadora. Todas menos uma... a minha.
Telefonei para Braga, para saber o que se passava, mas só ao final da tarde vim a saber que a bicicleta estava em Sevilha no armazém da transportadora. Contavam entregá-la na manhã seguinte, mas a que horas?
Desesperado com a situação, nessa noite mal dormi. No dia seguinte, levantei.me cedo e apanhei um taxi, tendo apenas como referência o nome da transportadora e uma morada vaga numa zona industrial. O taxista foi fantástico. Também era ciclista. Já na zona industrial telefonou para a transportadora e lá demos com o armazém. Recuperei a bicicleta, meti-a no taxi (era uma carrinha) e voltámos ao hotel, onde os meus amigos me esperavam. Montei a bike, equipei-me e, ainda com o stress da situação a pesar-me, lá arrancámos para mais uma aventura.

17 setembro 2009

13 de Junho: Etxalar - San Sebastián, 64 km






Esta era a última etapa da Transpirenaica e, apesar de ser aparentemente fácil, acabou por custar muito mais do que parecia. O ponto mais alto da etapa não ultrapassava os 450 metros de altitude, o que parecia simples para quem já tinha passado acima dos dois mil metros, mas as subidas eram duríssimas e o caminho nem sempre ciclável.
De facto esta etapa parece talhada para os que gostam de free-ride ou down-hill, pois fazer certas descidas com bikes como as nossas e ainda por cima carregadas não é assim tão simples.
Havia zonas intransitáveis e em que só o GPS evitou que nos perdêssemos. Houve uma descida em que carregámos as bikes o tempo todo e mesmo a pé era complicada de se fazer.
Depois de uma manhã a saltitar entre Espanha e França lá chegámos a Hondarribia, onde a Transpirenaica tem o seu ponto final. Só que nós ainda tínhamos caminho até Donostia/San Sebastián, que era onde as nossas mulheres nos esperavam e onde seria a festa de despedida. Assim, comemos um "bocadillo" rápido e seguimos pelo Caminho Norte de Santiago, que começa precisamente em Irún, na fonteira com a França. Depois de mais uma subida e consequente descida, e já com a meta a poucos quilómetros, atravessámos o rio num barco que faz essa travessia e desembarcámos em San Sebastián. Percorremos a última parte da etapa já dentro da cidade até chegar à praia, onde os quase mil quilómetros desta fabulosa travessia tiveram o seu final.

12 de Junho: Roncesvalles - Etxalar, 73 km



Saímos de Roncesvalles, deixando para trás os peregrinos de Santiago, numa manhã com sol e calor. Depois de uma curta subida ao Coll Lindux, junto à fronterta francesa, atingimos o último ponto acima dos mil metros da Transpirenaica. Embora curta, esta subida tinha algumas rampas em cimento muito duras.
Seguia-se uma longa descida por uma estrada de gravilha, em que não se podia abusar da velocidade, porque sair da estrada implicava uma queda pela ribanceira.
A subida ao collado de Elorrieta foi bastante custosa, porque além do calor havia rampas com muita inclinação. No final desta subida, numa zona descampada, esperava-nos uma surpresa. Toda esta etapa decorre em zona fronteiriça do País Basco, onde a ETA ainda tem muita força. Em plena montanha deparámo-nos com dois helicópteros, um da Guardia Civil espanhola e o outro da Gendarmerie francesa, além de cerca de vinte elementos de ambas as corporações. Perguntaram-nos o que fazíamos por ali, revistaram todas as nossas alforjas e mochilas, inspeccionaram os aparelhos de GPS e, depois de se informarem para onde nos dirigíamos, deixaram-nos prosseguir caminho. Tudo com eficiência e correcção, note-se.
A descida que se seguiu tinha algumas zonas de trialeira e, já no asfalto perto de Erratzu, tive o meu primeiro e único furo, no pneu da frente.
Parámos para comer num "asador" antes da subida final. Apesar de já ser tarde e não estar ninguém no restaurante, fomos atendidos como príncipes. Comemos um "chuletón" bem regado e ainda nos deixaram fazer a sesta na esplanada.
Ainda com muito calor atacámos a subida a Bagordi. Fazia-se por estrada e era bastante dura. A parte final, já no monte, tinha zonas absolutamente impraticáveis, com o mato muito fechado e rampas exigentes. A descida seguinte também tinha trialeiras e demorou bastante até chegar à estrada que nos levou ao Hotel Etxalar.


31 agosto 2009

11 de Junho: Isaba - Roncesvalles, 76 km




Manhã fresca mas com sol. Primeiras duas subidas por estrada ao Puerto de Laza e ao Collado Olokia. Depois iniciámos uma descida por uma pista excelente que entrava no bosque de Irati, uma das partes mais bonitas desta travessia. Após atravessar um rio recomeçámos a subir, continuando por uma pista larga e em bom estado, até atingirmos o terceiro pico do dia acima dos mil metros de altitude.
Passámos pela barragem de Irabia, subimos ao Coll de Orion por uma pista cimentada, contando encontrar algum sítio para comer na descida seguinte. Contudo, não havia nenhum restaurante ou bar onde pudéssemos repor forças, pelo que decidimos continuar até Roncesvalles e comer quando chegássemos.
Havia ainda uma última subida, que não sendo própriamente exigente, se tornou dura porque as forças me começavam a escassear; quando as reservas se esgotam, torna-se imperioso meter combustível. Assim, fizemos uma pequena pausa para comer uma banana e frutos secos que, felizmente, trazíamos connosco.
Chegámos a Roncesvalles por volta das 16.00 e deparámos logo com o movimento habitual dos peregrinos em caminho para Santiago. Ficámos na Posada de Roncesvalles, o sítio onde eu conheci estes meus amigos, há dois anos, quando iniciava o meu caminho francês de Santiago.
Comemos uns "bocadillos", dormimos a" siesta" e, ao final da tarde, fomos à missa do peregrino.
Já só faltavam duas etapas.

19 agosto 2009

10 de Junho: Echo - Isaba, 40 km




A etapa mais curta da Transpirenaica, ainda para mais com bom tempo, prometia um dia mais relaxado do que os anteriores.
Saímos de Echo por estrada e começámos logo a subir. Quando deixámos o asfalto, começaram as dificuldades, pois algumas partes eram bastante íngremes. Atingimos o primeiro cume do dia e deparou-se-nos uma descida a confirmar para pior aquilo que indicava o guia. Uma trialeira que, na sua quase totalidade, era impossível de fazer, pelo menos com as bikes carregadas e sem correr riscos. Demorou mais a descida do que a subida anterior.
Chegados a Ansó, começava nova subida, por uma estrada estreita mas muito bonita, sempre a acompanhar o curso de um rio. Após passar Zuriza e já no final da subida, entrámos em Navarra e começámos nova descida que, também a confirmar o guia, era bastante técnica. Muitos obstáculos e pedras, além da travessia constante de um rio, por vezes com muita lama, tornaram esta descida um pouco morosa. Antes da chegada a Isaba aguardava-nos mais uma trialeira, pelo que estes quarenta quilómetros acabaram por nos tomar toda a manhã. Almoçámos ao chegar e, de seguida, instalámo-nos no Hostal Lola, ficando com o resto da tarde livre.

18 agosto 2009

9 de Junho: Senegüé - Echo 73 km + 12 km




Para reparar o problema do porta-alforjas do dia anterior tivémos de ir a Sabiñanigo, onde havia uma loja de bicicletas. Eu aproveitei também para limpar e lubrificar os cabos de travão. Assim, fizémos mais doze quilómetros e quando arrancámos do ponto de partida, já era quase meio-dia.
Para começar tínhamos uma subida de respeito, ao Pueyo de Escués, a 1507 metros de altitude. A parte final desta subida é bastante dura e com muita pedra solta, que se mantém na descida. Devido à trepidação, o meu GPS soltou-se e caiu, mas felizmente ouvi o barulho e recuperei-o.
Parámos em Castiello de Jaca para comer umas "bocatas" e continuámos viagem, pois ainda nos esperavam cinco subidas, curtas mas puxadinhas. Este foi talvez o dia que mais me custou, por causa das dores que sentia na zona dos rins e este sobe e desce final, embora fosse por estrada, foi bastante penoso. Chegámos a Echo ao final da tarde e ficámos alojados no Hotel El Foratón.

8 de Junho: Sarvisé - Senegüé, 59 km



Mais uma manhã de chuva. A etapa começava por estrada, ligeiramente a descer, até Fiscal, onde parámos para nos abastecermos para a jornada, pois o guia não mencionava nenhum sítio para comer durante o trajecto.
Começámos então a subir, primeiro por estrada e depois por uma pista. Aqui deparou-se-nos aquilo que nos iria acompanhar durante todo o dia: lama e mais lama.
Atravessámos algumas povoações abandonadas, numa delas - Bergua - estava instalada uma comunidade hippie. O caminho tinha partes impossíveis de fazer em cima da bicicleta, ou por causa dos riachos que era necessário atravessar, ou então porque a lama nos obrigava a parar frequentemente.
Na povoação abandonada de Sasa encontrámos um grupo de alemães que andavam a pedalar pelos Pirinéus e estavam perdidos, pois não levavam GPS. Já tinham passado por nós quando saíamos logo de manhã e levavam carro de apoio.
No Coll de las Tres Cruces parámos para comer; não chovia mas estava um tempo cinzento e fresco. Continuámos a subir até ao Coll de Santa Orosia, a 1771 metros de altitude, onde pudemos disfrutar de umas vistas fantásticas. A descida começava por um trilho muito técnico, com pedras, buracos e muita trampa, pois vaquinhas não faltavam lá por cima.
Mas o pior estava para vir; eu nunca tinha visto tanta lama como a que apanhámos durante esta descida. Tive que fazer vários quilómetros, a descer, com a bicicleta à mão e passei o tempo a limpar as pastilhas de travão traseiras, onde se acumulava mais lama. Foi um martírio.
Para complicar as coisas o José Luis partiu o suporte do porta-alforjas. Felizmente conseguiu-se improvisar uma solução para concluir a etapa, mas a chuva e a trovoada reapareceram em grande e acompanharam-nos até final. A descida foi muito demorada, parecia que nunca mais acabava.
Quando chegámos ao Hostal Casba, em Senegüé, as bikes e restante equipamento estavam irreconhecíveis, mas pudémos lavá-las e lubrificá-las.

11 agosto 2009

7 de Junho; Escalona - Sarvisé, 56 km






A etapa-rainha da Transpirenaica: resume-se a uma subida e uma descida, atingindo os 2210 metros de altitude. Desde o início, em Escalona, até ao ponto mais alto, são mais de trinta quilómetros sempre a subir, vencendo um desnível de mil e seiscentos metros.
O dia amanheceu com o céu azul, mas foi-se progressivamente toldando ao longo do dia, embora não tenha chovido.
Os primeiros quilómetros são a subir ligeiramente por uma estrada entre montanhas a pique; é um autêntico desfiladeiro, acompanhando o curso de um rio. Antes de chegar a Nerín, a estrada torna-se mais empinada, sobretudo nos últimos quilómetros. Nesta povoação era necessário abastecer de água, pois daqui para a frente não havia rigorosamente nada, a não ser montanha. De Nerín até ao topo da Sierra de las Cutas são mil metros de desnível sem pontos de recuperação, apesar de ser uma pista de bom piso e sem dificuldade técnica. A temperatura foi descendo e quando atigimos o topo estava frio. A paisagem lá no alto é impressionante e compensa bem a dureza da subida.

Depois de várias fotografias, preparámo-nos para a descida, que consiste na continuação da pista larga e sem problemas, mas que se torna cansativa por ser longa. Parámos em Torla para almoçar e ficámos com apenas sete quilómetros a descer para o resto do dia.

Mas o que parecia simples complicou-se bastante; ao sair de Torla, entrámos num caminho extremamente técnico, junto a um rio, que nos tomou muito tempo. Os últimos dois quilómetros foram por estrada e chegámos tranquilamente a Sarvisé, onde ficámos instalados no Hostal Casa Frauca.



06 agosto 2009

6 de Junho: Pont de Suert - Escalona, 86 km



Etapa muito dura e longa, com um desnível acumulado superior a dois mil metros.
Manhã de chuva e, logo à saída de Pont de Suert, atravessa-se o rio e deixa-se a Catalunha para entrar em Aragão. Primeira subida do dia por uma pista em mau estado e enlameada. Já em pleno Pirinéu aragonês iniciámos a segunda subida, com uma parte final duríssima. Esta zona é bastante solitária e a descida fez-se por um caminho com muita lama e gravilha. A minha bike não tem travões de disco e a lama ia-se acumulando nos calços dos travões, travando as rodas e obrigando-me a pedalar, mesmo em descida. A pressão da lama foi tanta que o cabo do travão traseiro soltou-se e fiquei sem travões a meio da descida. Depois de limpar a lama e colocar o cabo no sítio, continuei a descer sem mais percalços, à excepção da lama que se ia acumulando.
Com a bike completamente coberta de lama, chegámos a Senz, onde iniciámos a terceira subida. Parámos em Viu para almoçar, numa casa de turismo rural, onde aproveitámos para lavar as bicicletas. Continuámos a subir até ao Coll de Cullibert e fomos de novo brindados com chuva e trovoada, para ajudar à dureza da subida.
Felizmente que a quarta e última rampa do dia era mais curta e mais fácil, mas a descida final, com um desnível de cerca de novecentos metros, era por uma pista com gravilha, até se apanhar a estrada que nos levou ao Hostal Revestido, em Escalona, já no final da tarde.


05 agosto 2009

5 de Junho: Molinos - Pont de Suert, 47 km




Esta primeira etapa era curta, mas nem por isso era fácil, com três picos acima dos 1500 metros de altitude.


Manhã de chuva, nada a que já não estivéssemos habituados, mas a arrefecer um bocado os ânimos. Preparámos as bikes e, mal arrancámos, a chuva intensificou-se. Meia volta e de novo para o abrigo do hotel. Esperámos cerca de um quarto-de-hora e, como a chuva não abrandava, fizémos-nos ao caminho.


Primeiros quilómetros por estrada, sempre a subir, até que a estrada acaba e entramos numa zona não ciclável que nos levou ao topo da primeira montanha do dia. A chuva havia parado e iniciámos a descida por um trilho técnico e com muitos arbustos espinhosos.


A segunda subida passava por vários povoados abandonados e após uma pequena descida havia que subir de novo, para atingir o ponto mais elevado do dia, a 1591 metros de altitude.


Chegámos a Pont de Suert às 14.00, instalámo-nos no Hostal Cotori e almoçámos. Ficámos com a tarde livre e agradecemos o facto de termos chegado cedo, porque a meio da tarde caiu uma tempestade violenta, com chuva torrencial e trovoada.